Quando a mídia fala em guerra no Rio, dando close nos mortos e culpando os morros, a antropóloga Ondina Pena Pereira, de Brasília, me envia o excelente texto de Luiz Eduardo Soares, "A crise do Rio e o pastiche midiático". Luiz Eduardo, autor de vários livros, transita pela antropologia, pela literatura, pelo direito. Amanhã às 22h, ele estará no programa Roda Viva, da TV Cultura, quase insuportável depois que passou a ser dirigido por Marília Gabriela.
Por coincidência, também hoje li entrevistas do geógrafo Milton Santos, reunidas pela Azougue Editorial em uma coleção chamada Encontros. Ele nos fala da violência da mídia; do projeto da classe média em preservar privilégios, ao invés de conquistar direitos; do macaqueamento dos modelos europeus ou americanos feito pela universidade brasileira que, em sua maioria, trocou a reflexão pelo carreirismo; da necessidade de aprendermos com os que habitam as cidades de outras formas, em especial, os pobres que diariamente inventam novos modos de troca, resistência, diversão.
Por que vamos comprar a visão que o Leblon tem do Rio? Como ensina Milton Santos, é preciso pensar por que reduzimos a maioria da população à noção de periferia. No mínimo, ela, a periferia, redefine o que chamamos presunçosamente de centro ou, pior, de bairros nobres.
28 de novembro de 2010
20 de novembro de 2010
Pra quem sabe onde é Luanda
Relembrar em conjunto, esse é o sentido primeiro da palavra comemoração. Ontem, show de Rita Ribeiro. Dançante. Comemoração da Semana da Consciência Negra. Ela, comovida por estar na terra de Zumbi dos Palmares.
Quando aqui ainda era o sul da capitania de Pernambuco, chegaram os primeiros escravos. Essa história triste começou nesta terra, Gil errou quando escreveu que foi na Bahia o primeiro pelourinho. Mas, generosos e inventivos, os escravos que desembarcaram trouxeram grandes maravilhas. Muitos descendentes de Zumbi que resistiram às péssimas condições de vida fizeram deste país um lugar possível e supreendente. De Pernambuco, vem a beleza e o canto de Lia de Itamaracá. De Alagoas, Djavan.
Procuro alguma imagem ou música, para comemorar (n)este dia, e me perco em um labirinto de milreferências, caminhos para percorrer dançando, lendo, ouvindo, rindo, chorando... Escolho dançar. Vá de clique em clique em cima dos nomes: roteiro para festas. Itamar Assumpção, sempre bom de ouvir, de ver. Aqui, Itamar cantando Tim Maia, outro artista genial. Depois, Jorge Benjor com Mano Brown, celebrando um grande jogador africano: Umbabarauma, homem-gol. Daí para LUiZ MELoDIA e Naná Vasconcelos é só mais um passo animado. Jards Macalé, que toca todo dia na vitrola desta casa, também entra na festa. Elza Soares, alegria, alegria! No embalo do samba, Bezerra da Silva, humor & inteligência. E o mais elegante dos cantores brasileiros: Paulinho da Viola. Tem sempre espaço na Van pra Ed Mota. Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, dois grandes que animam qualquer festa. Chico Science, que entendeu bem a Nação Zumbi. Faltaram mais uns zil artistas, mas tenho que acabar a postagem e tomar café. Gilberto Gil e Macaco Bong, "pra afugentar o inferno pra outro lugar".
Quando aqui ainda era o sul da capitania de Pernambuco, chegaram os primeiros escravos. Essa história triste começou nesta terra, Gil errou quando escreveu que foi na Bahia o primeiro pelourinho. Mas, generosos e inventivos, os escravos que desembarcaram trouxeram grandes maravilhas. Muitos descendentes de Zumbi que resistiram às péssimas condições de vida fizeram deste país um lugar possível e supreendente. De Pernambuco, vem a beleza e o canto de Lia de Itamaracá. De Alagoas, Djavan.
Procuro alguma imagem ou música, para comemorar (n)este dia, e me perco em um labirinto de milreferências, caminhos para percorrer dançando, lendo, ouvindo, rindo, chorando... Escolho dançar. Vá de clique em clique em cima dos nomes: roteiro para festas. Itamar Assumpção, sempre bom de ouvir, de ver. Aqui, Itamar cantando Tim Maia, outro artista genial. Depois, Jorge Benjor com Mano Brown, celebrando um grande jogador africano: Umbabarauma, homem-gol. Daí para LUiZ MELoDIA e Naná Vasconcelos é só mais um passo animado. Jards Macalé, que toca todo dia na vitrola desta casa, também entra na festa. Elza Soares, alegria, alegria! No embalo do samba, Bezerra da Silva, humor & inteligência. E o mais elegante dos cantores brasileiros: Paulinho da Viola. Tem sempre espaço na Van pra Ed Mota. Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, dois grandes que animam qualquer festa. Chico Science, que entendeu bem a Nação Zumbi. Faltaram mais uns zil artistas, mas tenho que acabar a postagem e tomar café. Gilberto Gil e Macaco Bong, "pra afugentar o inferno pra outro lugar".
19 de novembro de 2010
Porque é sexta-feira
Cérebro eletrônico
Gilberto Gil
O cérebro eletrônico faz tudo
Faz quase tudo
Faz quase tudo
Mas ele é mudo
O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda
Só eu posso pensar
Se Deus existe
Só eu
Só eu posso chorar
Quando estou triste
Só eu
Eu cá com meus botões
De carne e osso
Eu falo e ouço. Hum
Eu penso e posso
Eu posso decidir
Se vivo ou morro por que
Porque sou vivo
Vivo pra cachorro e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
No meu caminho inevitável para a morte
Porque sou vivo
Sou muito vivo e sei
Que a morte é nosso impulso primitivo e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Com seus botões de ferro e seus
Olhos de vidro
18 de novembro de 2010
Público X Publicado
Michel Maffesoli, sociólogo francês, em seu livro Saturação, disponível no site do Observatório do Itaú Cultural, distingue "opinião pública" de "opinião publicada": "[...] nos dias de hoje, confunde-se opinião pública com opinião publicada. Esta (a publicada) não deixa de ser uma opinião, mas pretende ser um saber, uma competência, até mesmo uma ciência, ao passo que aquela (a pública) tem consciência de sua fragilidade, de sua versatilidade, em suma, de sua humanidade" (2010, p.20). Cito este trecho para pontuar a discussão que se abriu na última eleição, e que segue caminhos muito tortuosos, sobre a mídia no Brasil.
O último episódio da (con)fusão entre público e publicado no Brasil (particularmente grave devido ao monopólio no setor de comunicação) é a abertura do processo contra a presidente eleita Dilma Rousseff, que, nos anos 1970, então com 20 anos, foi presa e torturada pela ditadura militar. O jornal Folha de São Paulo solicitou a abertura, antes da votação do segundo turno. Conseguiu agora. Por que o mesmo jornal, que apoiou a ditadura, não luta para divulgar os nomes dos torturadores? Por que faz uma campanha que autoriza a ditadura, vendo-a como critério de verdade, e não como algo que deve ser criticado duramente? Vários textos discutiram essas questões, no blog de Azenha (Viomundo), no de Emir Sader (Carta Maior), no da revista Carta Capital... É deplorável a postura da maior parte da imprensa brasileira, em especial, de um jornal que trabalha sistematicamente para impedir qualquer debate pautado na reflexão e na tolerância.
É bom lembrar: eles são apenas a opinião publicada, a partir de claros interesses econômicos e políticos, não podem ser confundidos com a opinião pública.
O último episódio da (con)fusão entre público e publicado no Brasil (particularmente grave devido ao monopólio no setor de comunicação) é a abertura do processo contra a presidente eleita Dilma Rousseff, que, nos anos 1970, então com 20 anos, foi presa e torturada pela ditadura militar. O jornal Folha de São Paulo solicitou a abertura, antes da votação do segundo turno. Conseguiu agora. Por que o mesmo jornal, que apoiou a ditadura, não luta para divulgar os nomes dos torturadores? Por que faz uma campanha que autoriza a ditadura, vendo-a como critério de verdade, e não como algo que deve ser criticado duramente? Vários textos discutiram essas questões, no blog de Azenha (Viomundo), no de Emir Sader (Carta Maior), no da revista Carta Capital... É deplorável a postura da maior parte da imprensa brasileira, em especial, de um jornal que trabalha sistematicamente para impedir qualquer debate pautado na reflexão e na tolerância.
É bom lembrar: eles são apenas a opinião publicada, a partir de claros interesses econômicos e políticos, não podem ser confundidos com a opinião pública.
15 de novembro de 2010
Futurível
É o nome do show que aconteceu ontem e já faz parte da história dos encontros entre gerações e artes no Brasil.
Veja fotos e saiba mais AQUI
e AQUI
Trecho do release oficial:
O espetáculo Futurivel celebra o encerramento do Fórum Internacional Geopolítica da Cultura e da Tecnologia, que se realiza na Cinemateca Brasileira do dia 11 ao dia 13 de Novembro, com curadoria de Gilberto Gil e Laymert Garcia dos Santos. Futurivel é simultaneamente a abertura do ll Fórum da Cultura Digital Brasileira, que se realiza na Cinemateca Brasileira de 15 a 17 de Novembro de 2010.
Veja fotos e saiba mais AQUI
e AQUI
Trecho do release oficial:
O espetáculo Futurivel celebra o encerramento do Fórum Internacional Geopolítica da Cultura e da Tecnologia, que se realiza na Cinemateca Brasileira do dia 11 ao dia 13 de Novembro, com curadoria de Gilberto Gil e Laymert Garcia dos Santos. Futurivel é simultaneamente a abertura do ll Fórum da Cultura Digital Brasileira, que se realiza na Cinemateca Brasileira de 15 a 17 de Novembro de 2010.
14 de novembro de 2010
12 de novembro de 2010
Antológico
Um dos momentos mais comoventes e significativos de trânsitos culturais: concerto do ministro Gilberto Gil na sede da Organização das Nações Unidas, em 21 de setembro de 2003, em Nova York; homenagem aos funcionários das Nações Unidas mortos em atentado em Bagdá. Tocando bongo: Kofi Annan, diplomata de Gana e à epoca secretário geral da ONU. Nobel da Paz 2001.
Da África, passando pelo Brasil, para o mundo, a lição: não há conserto, há concerto ou não faça guerra, faça festa.
A passagem de Gilberto Gil, um artista negro baiano, pelo Ministério da Cultura abriu um novo tempo no modo de pensar as complexas relações entre cultura e Estado no Brasil, em diálogo criativo com diversos outros campos.
Esta semana, a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Alagoas e o Observatório Itaú Cultural, com o apoio do SESI, realizaram em Maceió um evento muito significativo:o Curso de Gestão e Políticas Públicas. Pessoas das mais diversas perspectivas e áreas (pública, privada, produção, gestão, pesquisa) debateram o tema com leveza e consistência.
Da África, passando pelo Brasil, para o mundo, a lição: não há conserto, há concerto ou não faça guerra, faça festa.
A passagem de Gilberto Gil, um artista negro baiano, pelo Ministério da Cultura abriu um novo tempo no modo de pensar as complexas relações entre cultura e Estado no Brasil, em diálogo criativo com diversos outros campos.
Esta semana, a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Alagoas e o Observatório Itaú Cultural, com o apoio do SESI, realizaram em Maceió um evento muito significativo:o Curso de Gestão e Políticas Públicas. Pessoas das mais diversas perspectivas e áreas (pública, privada, produção, gestão, pesquisa) debateram o tema com leveza e consistência.
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