Um pouco do trabalho do Lucas para animar este domingo.
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19 de junho de 2011
Com nostalgia
Ontem, Lucas Santtana, músico baiano, esteve num palco de Maceió, por uns breves momentos. Fomos, Tazio, Duda e eu, ao Maikai, na esperança de assistir a um show bacana. Antes, uma banda de forró, desse forró que chamam (não sei bem o motivo) de universitário. Fumaça por todo lado e a dificuldade de comprar uma bebida, incompreensível em um lugar caro, pois diminui o lucro da casa. Difícil também aguentar até a chegada de Wado e Lucas. Wado mostrou alguns dos últimos e dos antigos sucessos. Depois, finalmente, um pouco (muito pouco) de Lucas Santtana, que fez um disco excelente chamado "Sem nostalgia", com o auxílio luxuoso de Arto Lindsay e de outras parcerias (para saber mais, clique aqui). Ano passado, ele esteve no palco do Rec Beat. Foi um grande prazer ouvi-lo por lá, em condições bem melhores, apesar de o show ter sido em um espaço aberto e fazer parte da programação de um megaevento chamado carnaval. Saudade do profissionalismo do Recife, uma cidade muito mais aberta à arte, um lugar que trata melhor o artista e o público.
10 de junho de 2011
Pra comemorar
Márcia Castro, uma cantora baiana muito bacana, que faz misturas, pois sabe que o Brasil é um mosaico movediço, assim como Nação Zumbi. Eles animam qualquer festa. Por que é sexta-feira. Porque a leveza venceu o mau humor.
25 de maio de 2011
Para dançar
Luiz Melodia, sempre bom de ver, ouvir, cantar, dançar. Aqui cantando Dama Ideal. Uma delícia.
Outra delícia: os Novos Baianos cantando o grande Assis Valente:
Outra delícia: os Novos Baianos cantando o grande Assis Valente:
26 de março de 2011
Morte é mote
Rir da morte. A lição docedura de Bandeira, em muitos poemas. A casa arrumada esperando a morte ou "Momento num café":
Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes da vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes da vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.
O poema de João Cabral sobre Clarice, "Contam de Clarice Lispector":
Um dia, Clarice Lispector
intercambiava com amigos
dez mil anedotas de morte,
e do que tem de sério e circo.
Nisso, chegam outros amigos,
vindos do último futebol,
comentando o jogo, recontando-o,
refazendo-o, de gol a gol.
Quando o futebol esmorece,
abre a boca um silêncio enorme
e ouve-se a voz de Clarice:
Vamos voltar a falar na morte?
Um dia, Clarice Lispector
intercambiava com amigos
dez mil anedotas de morte,
e do que tem de sério e circo.
Nisso, chegam outros amigos,
vindos do último futebol,
comentando o jogo, recontando-o,
refazendo-o, de gol a gol.
Quando o futebol esmorece,
abre a boca um silêncio enorme
e ouve-se a voz de Clarice:
Vamos voltar a falar na morte?
300 mil poemas sobre morte. Não é sempre sobre morte? Tenho ouvido muito a Caixa Preta de Itamar Assumpção, principalmente os discos com as músicas inéditas, em que Itamar, já perto da morte, entrando e saindo de hospital para tratar do câncer, transformou a angústia em sons e ritmos. Fez o que mais sabia, deu alegria a seu público. Pensando, sofrendo, morrendo, sem perder o ótimo humor. Taí Anteontem (Melô da U.T.I.). Não encontrei nenhuma gravação na rede, se achar coloco depois. Por enquanto, vai a letra:
Hoje eu estou aqui
por sorte não por ser forte
Porque que sobrevivi, não sei
Sei que não foi blefe ou trote
Anteontem na UTI
Foi me visitar a morte
Mesmo sedado senti
Seu bafo no meu cangote
De susto quase morri
Deu pânico, quase entrei em choque
Quando nas mãos dela eu vi
Ao invés de foice, serrote
Disse vim te advertir
Somente pra dar uns toques
Burrice tentar fugir
Cuide-se bem, se comporte
Daí desandou a rir
Do cateter, rir do corte
Passou a se divertir
Me dando croque e mais croque
Quando resolveu partir
Entregou-me um passaporte
Gritou antes de sumir
"Além de servir de mote
Vim ajudá-lo a assumir de vez
O seu lado pop
Então é só decidir se morte é mote
Pra funk ou xote"
25 de fevereiro de 2011
Nem só de frevo
é feito o carnaval do Recife. Há frevo e muito mais. Ritmos diversos, em múltiplos espaços. A programação é vasta e variada. Vale conferir em sites e blogs que divulgam o que vai rolar em todos os palcos. Segunda-feira, KARINA BUHR, que nasceu na Bahia e cresceu no Recife, de onde tem o sotaque, mostra no Pátio de São Pedro as composições bem elaboradas do disco Eu menti para você. Antes da carreira solo, ela fazia parte da banda Comadre Florzinha.
Abaixo, "Vira pó" e "Nassiria e Najaf, uma inusitada canção de ninar cantada por Karina Buhr e Edgard Scandurra, também na guitarra, para crianças de Bagdá que tentam dormir em meio aos destroços de uma guerra terrível, desigual, absurda, iniciada e continuada pelo imperialismo americano.
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5 de fevereiro de 2011
Festa
Assim é Itamar Assumpção: uma grande festa, em que dançamos, rimos, pensamos. Sempre protegidos pela bela figura de quase dois metros de um artista muito inventivo e surpreendente, não só quando grava músicas de Ataulfo Alves, em um Cd incrível, mas em todas as suas composições, quase sempre (des)concertantes.
Guardo imagens e sons muito vivos de shows de Itamar que tive a felicidade de assistir, em São Paulo e em Brasília. Difícil escolher o melhor disco. Aqui em casa tocam sempre Sampa Midnight , Pretobrás, Beleléu, leléu, eu, os três (Bicho de 7 cabeças I, II e III) que fez com as Orquídeas do Brasil, cantoras maravilhosas.
Saiu há pouco a Caixa Preta, com 12 CDs, mais de oito horas de alegria, alegria. Há inéditos e também todos os que ele lançou ao longo de sua carreira independente (de modas, de grandes gravadoras, quase sempre, das revistas, do rádio, dos programas de auditórios...). Grandes parcerias: Ná Ozzetti, Arrigo Barnabé, Leminski... Com Naná Vasconcelos, fez um disco ótimo, já no fim da vida: Vasconcelos e Assumpção, isso vai dar repercussão.
Ouvir Itamar Assumpção ajuda a melhorar o dia, a vida.
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