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31 de outubro de 2010

Dia de FESTA!!!!




Foi eleita a primeira mulher presidente do Brasil!
Grande dia! Contra a igreja reacionária, católica e protestante, contra os defensores da ditadura, contra o Partido da Imprensa Golpista, contra @s obscurantistas, @s autoritári@s, @s misógin@s, @s homofóbic@s, contra tod@s que não respeitam a diversidade e a pluralidade!

Valeu Brasil que pensa e é tolerante!
Agora, vamos dançar e comemorar!

Política & Humor

A filósofa Marilena Chauí nos lembrou que política é emoção.
Neste segundo turno, nos indignamos com o PIG, Partido da Imprensa Golpista (que continua atuando), com as calúnias abjetas orquestradas pela extrema direita e seu candidato.
Mas também nos comovemos com Lula, com Dilma, com o povo brasileiro, nossos artistas, nossos intelectuais, que demonstraram sua força com imagens, falas e músicas. Sem humor, não há inteligência, reflexão, amor.
Hoje, vamos eleger a primeira mulher presidente do Brasil com alegria, e depois vamos comemorar em todos os ritmos deste país que quer seguir cantando, dançando, mudando!

26 de outubro de 2010

Saiu aqui: Rede Brasil Atual

Na USP, ato pró-Dilma destaca diferença de projetos

Segundo Marilena Chauí, José Serra não tem "respeito pela dignidade do sagrado e pelo ecumenismo religioso"

Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual

Publicado em 26/10/2010, 10:55

Última atualização às 11:44

Na USP, ato pró-Dilma destaca diferença de projetos

Alfredo Bosi (à mesa, o quarto da direita para a esquerda) criticou atuação da "imprensa marrom do papel couché" por ataques sistemáticos a Dilma Rousseff (Foto: Alci Matos/Divulgação)

São Paulo – A diferenciação de projetos políticos e a construção de uma força suprapartidária para eleger a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, dominou os discursos na noite da segunda-feira (25), na capital paulista. O ato convocado por professores universitários, estudantes e intelectuais reuniu perto de 2 mil pessoas, no prédio da História e Geografia da USP, e foi marcado por sérias críticas à política educacional do governo do PSDB e à campanha eleitoral do candidato José Serra, classificada de "obscura" e "obscena".

Primeiro a discursar, o filósofo e professor universitário Vladimir Pinheiro Safatle alertou o público para as consequências da incapacidade de perceber as diferenças entre os projetos do PT e do PSDB para o futuro do país. "Isso indica a incapacidade de pensar sobre política". O pesquisador criticou a aliança do PSDB no segundo turno com setores mais reacionários da igreja e da direita e avisou: "o Brasil pode esperar o pior". "O candidato para se impulsionar fez alianças com setor mais reacionário da igreja e da direita", detectou.

Na mesma linha, Heloísa Fernandes, filha de Florestan Fernandes, relatou que se seu pai estivesse vivo, certamente estaria na USP para marcar posição pró-Dilma. "Se vivo fosse ele estaria no meu lugar falando para vocês", afirmou em meio a aplausos do público.

Heloísa lembrou o que cada candidato disse publicamente sobre os movimentos sociais e que suas manifestações demonstram a diferença entre projetos. Ela analisa que Dilma demonstrou respeito pela ação e pelas pautas dos movimentos sociais, enquanto Serra avalia que o movimento social não pode ter atuação política. "Se Serra vencer será sem orgulho. Dilma, se vencer, será a primeira mulher presidente do Brasil e terá muito do que se orgulhar", citou.

Lizete Arelaro, diretora da Faculdade de Educação da USP, enfatizou a dificuldade de José Serra, ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, em lidar com a educação e com os movimentos sociais ao lembrar da invasão do campus da universidade pela Polícia Militar em 2009. "Eu gostaria de lembrar que o primeiro ato de José Serra quando foi prefeito de São Paulo foi terceirizar creches, a cultura, esporte e saúde". A diretora também criticou as ações da Secretaria Estadual de Educação que distribuiu "jornalzinho" e apostilas orientando como os professores deveriam se portar em sala de aula, com indicação de frases e comportamentos. "O professor entra na sala de aula, diz bom dia e sorri", cita a professora universitária. Para Lizete, o governo Serra foi marcado por privatizações "por dentro" do estado.

Celso Antonio Bandeira de Mello, professor de Direito da Pontificia Universidade Católica (PUC-SP) criticou o que chamou de "baixeza e campanha vil", do PSDB. Para Mello, os veículos de comunicação da grande mídia comercial só souberam rosnar e destilar ódio, baixeza e indignidades contra Dilma.
O professor deu ênfase ao sofrimento de Dilma durante a ditadura. "Ela deu testemunho com seu sangue, sua coragem, seu amor na luta contra a ditadura."

Sem luz

Gilberto Bercovici, professor da Faculdade de Direito da USP, lembrou a falta de recursos das universidades federais no governo Fernando Henrique Cardoso. "As federais não tinham dinheiro para pagar a conta de luz", descreveu. Ele denuncia que há políticos que têm desprezo pela universidade pública, "embora posem de intelectuais". Bercovici também criticou o "obscurantismo ressuscitado dos porões da direita brasileira", durante a campanha eleitoral.

Milton Luna, ex-reitor da Universidade Federal de São Carlos (UFScar) citou sua experiência à frente da UFScar, durante a gestão de FHC, quando faltavam recursos para pagar as contas e para investimentos em expansão das atividades. Luna também condenou a lei que impediu a expansão das escolas técnicas no governo tucano.

Para ele, a gestão de Fernando Henrique na educação foi marcada pela submissão ao Banco Mundial que "pedia que deixasse de investir em pesquisa e tecnologia" e privatizasse a educação.

Esforço suprapartidário

O professor e escritou Alfredo Bosi discursou em nome do suprapartidarismo e condenou a desmemória extraordinária da população. Segundo Bosi, Dilma "pagou duas vezes o preço pela causa democrática". A primeira vez quando foi presa e torturada durante a ditadura militar e agora, pela segunda vez, quando "marqueteiros venais e a imprensa marrom do papel couché" passaram a atacá-la sistematicamente. Ele acredita que Dilma "encarna um projeto social forte e dinâmico".

Bosi também foi enfático nas críticas quanto ao uso da religião com motivação eleitoral. "A direita está abusando da crença religiosa e convertendo em moeda de troca eleitoral. É uma prática ignóbil do sentimento sagrado", disparou. Ele analisa que as demonstrações de conservadorismo revelam que liberais só permanecem no centro enquanto não são confrontados. No momento da disputa política, eles "derrapam para a direita".

O senador Eduardo Suplicy participou do ato e emocionou a plateia ao descrever o depoimento de Dilma Rousseff, em 2008, quando era ministra-chefe da Casa Civil e foi convocada pelos partidos de oposição ao governo para falar sobre possível levantamento de gastos pessoais de FHC e a ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Além de justificar que o levantamento era pedido do Tribunal de Contas e não ação política, Dilma atestou sua coragem, segundo Suplicy, ao ser coagida pelos deputados sobre a veracidade de seu depoimento e contar que na ditadura foi presa e torturada aos 19 anos e mentiu para que amigos não fossem mortos. Dilma afirmou que o fato ocorreu durante a ditadura e que na democracia, a verdade dos fatos deve prevalecer. "Naquela ocasião eu não falei tudo que eu sabia, porque seria a morte dos meus companheiros. Hoje estamos vivendo numa democracia e o que eu falo é a verdade", narrou com voz embargada Suplicy sobre o depoimento de Dilma, que ela acompanhou pessoalmente.

O senador fez um forte apelo aos militantes do PT para que a reta final da campanha transcorra em paz. "Vamos criar um clima de paz e democracia pra valer".

Integração de programas

A filósofa e professora universitária Marilena Chauí defendeu os programas sociais do governo Lula e condenou as críticas ao Bolsa-Família. "O PSDB diz que são esmolas."

Para a filósofa, os programas sociais criaram um novo panorama em que as mulheres são protagonistas. Ao serem as titulares de programas sociais, as mulheres cuidam da família e com o que sobra trabalham em cooperativas, melhoram a situação não só de quem está à sua volta mas de toda uma comunidade, ensina. "As mulheres ocuparam um lugar na história como nunca dantes no Brasil", afirmou.

Marilena enfatizou a conexão entre os programas do governo federal. "Há integração nas ações sociais, no plano econômico e na educação", explica. A principal mudança implantada por Lula, ela avalia que foi a forma de ver o país e os brasileiros. "O governo mudou a direção do olhar do Brasil."

A filósofa destacou a importância das eleições de 31 de outubro para o futuro do país e especialmente na área educacional e tecnológica. "A diferença nas áreas de ciência e tecnologia são impressionantes no governo Lula". Mas, lamentou a posição conservadora de alguns professores da USP. "Com todas essas mudanças é espantoso conversar com os professores da USP".

Marilena alertou o público para uma possível articulação de ações violentas para incriminar o PT nos últimos dias do pleito e comparou o caso a um novo episódio "Abílio Diniz agora".

Na visão da professora universitária, a campanha tucana passou do deboche do primeito turno para a obscenidade do segundo turno. Ela também criticou os santinhos distribuídos pelo candidato José Serra com a imagem de Jesus Cristo associada à sua campanha. "Nenhum respeito pela dignidade do sagrado e pelo ecumenismo religioso", disparou.

"Isso é obsceno em termos da nossa memória. Quando eu vi José Serra trazendo pela porta da frente com pompa e cerimônia a Opus Dei e a TFP (a Sociedade Brasileira de Defesa de Tradição, Família e Propriedade) que foram os dois grandes pontos da ditadura militar, isso é uma afronta, um escárnio da nossa memória", encerrou aplaudida de pé pela plateia.

O professor Antonio Candido enviou nota em que apoia o governo Lula por manter o país nos trilhos. Dalmo Dallari não compareceu mas sua mensagem citou que viajando pelo país é possível ver "como a mudança no campo dos direitos humanos é gigantesca".

Adolfo Hansen, Flávio Aguiar de Berlim, Laura de Mello e Souza tiveram suas declarações de voto lidas para a plateia.

24 de outubro de 2010

Educação: leia e compare

Saiu no Observatório da Imprensa

Dia do Professor em época de eleição

Por Gabriel Perissé em 19/10/2010

O Dia do Professor deste ano coincidiu com a disputa em segundo turno pela Presidência da República. Sem esta circunstância em jogo, os candidatos Dilma e Serra não se sentiriam chamados a se manifestar, pelo menos em tenso clima de campanha, sobre a realidade e o futuro da educação. A duas semanas da decisiva votação, como pretendem nos convencer de que é possível uma educação de qualidade no Brasil? E como vão conquistar os professores brasileiros, uma das categorias mais (romanticamente) louvadas em sua data comemorativa e tão desvalorizada ao longo das últimas décadas, do ponto de vista profissional e salarial?

Entre as grandes contribuições de José Serra para as escolas de São Paulo aponta-se a ideia de que haja "duas professoras" nas salas da 1ª série do ensino fundamental. Não se esclarece, porém, o que em outros momentos Serra admite. Que se trata, não de uma segunda professora, mas de uma estudante universitária que recebe uma "espécie de bolsa" (cf. entrevista para o programa Roda Viva, em 21/06/2010). Uma "auxiliar" sem experiência, em situação tão ou mais precária do que a dos milhares de professores temporários na rede de ensino estadual de São Paulo (ver, neste Observatório, meu artigo "O temporário e o precário").

O programa do PSDB no dia 15 de outubro, veiculado no rádio, quis descolar Dilma da performance petista: "Não consegui lembrar nada que a Dilma tenha feito pela educação", disse um dos locutores. E a outra respondeu: "É que ela mesma realmente não tem mesmo nada pra mostrar."

Condições de trabalho

No mesmo dia 15, na TV, a propaganda de Dilma mencionou, com relação à educação, que a futura presidenta pretende construir muitas creches e escolas, além de criar mais escolas técnicas. No rádio, a mensagem de Dilma foi objetiva e sóbria: "Não basta celebrar o mestre, mas sim, valorizar de fato o seu trabalho, garantindo formação continuada e remuneração digna." E sobre isso insistiu, quase com as mesmas palavras, ao despedir-se no debate do dia 17 de outubro, pela Rede TV.

José Serra proclama ter "carinho pela educação", coisa que os docentes desmentem, em especial os que trabalham em São Paulo e experimentam há quase duas décadas o "carinho" do PSDB, incluindo os cassetetes dos policiais. Um crescente número de professores universitários, de instituições públicas e privadas, acaba de lançar um manifesto, cujo texto começa assim:

"Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país."

A Folha de S.Paulo, que apoia as medidas do governo do PSDB na área educacional, mostrou-se preocupada no principal editorial deste domingo (17/10), "Estresse na escola":

"A última sexta-feira, Dia do Professor, não foi data para muita comemoração. A educação no Brasil vai mal, já se aprendeu. Mas nem todos sabem, ou querem saber, que os docentes também participam dessa tragédia nacional como vítimas.

"[...] A deterioração dos relacionamentos em classe tem como sintoma mais visível o estresse dos professores – alguns deles submetidos a situações extremas, como ameaças de morte.

"Por mais que se imagine a ocorrência de abusos na concessão de licenças médicas por problemas emocionais, os números chamam a atenção. De janeiro a julho deste ano elas chegaram a 19.500 na rede estadual de São Paulo.

"[...] O governo estadual precisa fazer algo a respeito, mas o alcance de sua ação é limitado. Seria um bom começo melhorar as condições gerais de trabalho, aprofundando as políticas de reduzir a um mínimo as vagas de professor temporário e de valorizar a função, por meio de aumentos na remuneração básica ou de prêmios por desempenho e requalificações."

Mais empenho com trabalho de Haddad

Se depender do "carinho" do PSDB pela educação, esse estresse aumentará, com a volta de Geraldo Alckmin, agora sem a ajuda de quem foi outrora seu afilhado político, o ex-secretário da Educação Gabriel Chalita, que contrabalançava, com a visão de mundo "cançãonovista", a truculência típica da direta "católica".

Na hipótese de Serra vencer, o modelo paulista será transplantado para todo o país. O MEC voltará para as mãos de Paulo Renato Souza. O bônus (ver meu artigo "Mais ônus do que bônus", neste OI) e a auxiliar na sala de aula, medidas tacanhas e insuficientes, serão implantadas Brasil afora. Teremos na educação um triste passado pela frente!

Por seu lado, Dilma tem a seu favor as realizações do MEC, à frente do qual Fernando Haddad está entre os ministros que mais contribuíram para a boa avaliação da gestão Lula. A luta pelo piso salarial mínimo do professor, o ProUni e a criação e expansão das universidades federais são algumas das muitas iniciativas que a candidata do PT deveria divulgar com mais ênfase, reações positivas à queda de qualidade do ensino a que assistimos desde a década de 1980.

Dilma teria de apropriar-se com mais empenho do trabalho de Haddad. Sua assessoria considera essa questão menos relevante? Se eleita, terá de confiar em alguém à altura do que o atual titular da pasta realizou desde 2005. Esse trabalho de cinco anos ainda trará boas notícias até o final de 2010, como a oficialização do esperado Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente.

17 de outubro de 2010

Para esclarecer

Carta aberta à CNBB: Crime eleitoral

Carta Aberta à CNBB.

São Paulo 17 de outubro de 2010.

Como membro da CJP-SP fui chamado pelo Deputado Estadual Adriano Diogo a registrar o flagrante de crime eleitoral na Editora Gráfica Pana LTDA, que foi contratada pelo Bispo Diocesano de Guarulhos para reproduzir 2,1 milhões de panfletos falsos da CNBB e estava para distribuir, ontem, pelo país 1,1 milhão de cópias do material e fiz estes registros, por ter ciência da orientação de nossa Comissão Brasileira de Justiça e Paz a partir do documento que li, recebido dias atrás sobre a falsificação de panfleto em nome da CNBB.

A encomenda foi realizada a pedido Mitra Diocesana de Guarulhos conforme imagens abaixo, a saber: email de encomenda, cópia do boleto bancário e carta de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini ao Pe. Jean Rogers Rodrigo de Souza, solicitando distribuição, que encaminho também anexo para divulgação, uma vez que constituem a documentação probatória da encomenda e do crime eleitoral praticado.

A gráfica iria entregar 2,1 milhões de panfletos, cuja informação fornecida pelo gerente da empresa pego em flagrante, pode variar em sua tiragem de 20 a 50 milhões. Foram apreendidos somente 1 milhão dos panfletos falsos, cuja liminar de apreensão já foi expedida pelo juiz responsável. Isso significa que muitos panfletos podem ter sido feitos em outras gráficas e continuarão a ser distribuído pelo país, caso não haja uma ação efetiva da CNBB.

Penso que nossos Bispos devam considerar, dada a gravidade dos fatos, encaminhar a Nota de Esclarecimento elabora no encontro de Itaici, para ser lida em todas as paróquias, em todas as missas do próximo domingo, sua publicação no Jornal O São Paulo e demais revistas e jornais católicos, bem como a leitura nas Tvs e rádios da igreja, buscando por fim ao assunto.

Recomendo esta atitude para nossos pastores reunidos em Itaici, entendendo ser este um gesto que favorecerá a distensão dos mal-entendidos provocados, visando o amplo esclarecimento dos fiéis que receberam tal documento apócrifo e criminoso, sobre a real posição de nossos bispos do Regional 1 e da CNBB, contribuindo desta forma para serenarmos os conflitos gerados entre os católicos, reafirmando a integridade da CNBB e reforçando a cidadania, a democracia e a livre escolha de todos os brasileiros, tão atingidas com esta manifestação difamatória, que desvirtua o foco do debate que interessa à nação e o sentido das eleições de 2010.

A cisânia que a calúnia, as ofensas e as mentiras imputadas geram entre aos cristãos, por ações como está promovida pelo Bispo Diocesano de Guarulhos, estão explicitadas de forma dramática nos fatos que ocorreram hoje em Canindé, no Ceará, onde a missa acabou em TUMULTO, uma vez que o padre corretamente, informou aos presentes que o documento que estava sendo distribuído na missa era falso e acabou sendo atacado por um político, durante a celebração. Pergunto aos nossos Bispos da CNBB; quando na igreja uma missa tão tradicional como a de Canindé, acabou desta maneira? Os fatos demonstram a gravidade do momento e a tentativa de aparelhamento do sentimento religioso em nosso país, conforme nota publicada pla CNBB.

Faz-nos refletir a justeza das palavras da candidata Dilma Rousseff, divulgadas na imprensa recentemente, sobre a campanha de ódio que estas ações subterrâneas estão gerando nos corações e mentes dos brasileiros por todo nosso país. Isso pode ficar mais grave ainda, se não for feita uma ampla campanha de esclarecimento junto aos fiéis. A CNBB e o país tem muito a perder com isso. É preciso por um basta a esta campanha baseada na mentira, na calúnia, na difamação!

Só a Verdade nos libertará.

Atenciosamente:

Marcelo Zelic

Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
Coordenador do Projeto Armazém Memória

14 de outubro de 2010

Em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade

Veja abaixo o resumo do Manifesto Filósofos Pró-Dilma.

Entre os signatários do manifesto encontram-se Oswaldo Porchat Pereira, Marillena Chauí, Wolfgang Leo Maar, Guido Antônio de Almeida, Raul Landim Filho, Andrea Loparic, Manfredo Araújo de Oliveira, Jacyntho Lins Brandão, João Quartim de Moraes, Luiz Roberto Monzani, Virginia de Araujo Figueiredo, Scarlett Marton, Vladimir Pinheiro Safatle, Newton Bignotto, João Vergílio Gallerani Cuter, Ernesto Perini Santos, Paulo Francisco Estrella Faria, Roberto Horácio de Sá Pereira, Robson Ramos dos Reis, Ethel Menezes Rocha, Alfredo Carlos Storck, Vinicius de Figueiredo.

Versão resumida

Professores e pesquisadores de Filosofia, abaixo assinados, manifestamos nosso apoio à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Seguem-se nossas razões.

Os oito anos de governo Lula constituíram um formidável movimento na direção da construção de uma sociedade livre, justa e solidária, por meio da redução das desigualdades sociais e regionais e da luta pela erradicação da pobreza, objetivos expressos na Constituição da República Federativa do Brasil. Nesses oito anos, a pobreza foi reduzida em mais de 40%; mais de 30 milhões de brasileiros ascenderam à classe média; a desigualdade de renda sofreu uma queda palpável. Tais políticas assinalam o compromisso do governo Lula com a realização dos objetivos de nossa República. Como ministra, Dilma Rousseff exerceu um papel central no sucesso dessa gestão. Cremos que sua chegada à Presidência representará a continuidade, aprofundamento e aperfeiçoamento do combate à pobreza e à desigualdade que marcou os últimos oito anos.

Há razões para duvidar que um eventual governo José Serra ofereça os mesmos prospectos. É notório o desprezo com que os programas sociais do atual governo – em particular o Bolsa Família – foram inicialmente recebidos pelos atores da coligação que sustenta o candidato. Frente ao sucesso de tais programas, José Serra vem agora verbalizar sua adesão a eles, quando não arroga para si sua primeira concepção. Não tendo ainda, passado o primeiro turno, apresentado um programa de governo, ele nos lança toda sorte de promessas – algumas das quais em franco contraste com sua gestão como governador de São Paulo – sem esclarecer como concretizá-las. O caráter errático de sua campanha justifica ceticismo quanto à consistência de seus compromissos. Seu discurso pautado por conveniências eleitorais indica aversão à responsabilidade que se espera de nossos representantes.

A cidadania exige o que Kant caracterizou como independência: o cidadão deve ser “seu próprio senhor”, por conseguinte possuir “alguma propriedade (e qualquer habilidade, ofício, arte ou ciência pode contar como propriedade) que lhe possibilite o sustento”. Os programas de transferência de renda implementados pelo governo não apenas ajudaram a proteger o país da crise econômica mundial – por induzirem o crescimento do mercado interno –, mas fortaleceram nossa democracia ao criar bases concretas para a cidadania de milhões de brasileiros. Se atentarmos ao seu formato institucional, veremos que eles proporcionam condições para a progressiva autonomia de seus beneficiários, ao invés de prendê-los em um círculo de dependência. Que mulheres e homens beneficiados por tais programas confiram seus votos às forças que lutaram por implementá-los não deve surpreender ninguém – trata-se, afinal, da lógica mesma da governança democrática.

Compromisso com a expansão e qualificação da universidade

Durante os oito anos do governo anterior, não se criou uma nova universidade federal sequer; os equipamentos das universidades federais viram-se em vergonhosa penúria; as verbas de pesquisa estiveram constantemente à mercê de contingenciamentos; o arrocho salarial, aliado à falta de perspectivas e reconhecimento, favoreceu a aposentadoria precoce de inúmeros docentes, sem a realização de concursos públicos para a reposição satisfatória de professores. O consórcio partidário que cerca a candidatura José Serra – o mesmo que deu guarida ao governo anterior – deve explicar por que e como não reeditará essa situação.

O atual governo tem agido não apenas para a recuperação do ensino superior e da pesquisa universitária, após anos de sucateamento, como tem implementado políticas para sua expansão e qualificação – com resultados já reconhecidos pela comunidade científica internacional. O PROUNI – atacado por um dos partidos da coligação de José Serra – possibilitou o acesso à universidade para mais de 700.000 brasileiros de baixa renda. Através do REUNI, as universidades federais têm assistido a um grande crescimento na infraestrutura e na contratação, mediante concurso público, de docentes qualificados. Programas de fomento, levados a cabo pelo CNPq e pela CAPES, têm proporcionado um sensível aumento da pesquisa em ciência e tecnologia, premissa central para o desenvolvimento do país. Foram criadas 14 novas universidades federais, testemunhando-se a interiorização do ensino superior no Brasil, levando o conhecimento às regiões mais pobres, menos desenvolvidas e mais necessitadas de apoio do Estado.

Em defesa do Estado laico e do respeito à diversidade de orientações espirituais

A Constituição Federal é clara na afirmação do caráter laico do Estado brasileiro. É garantida aos cidadãos brasileiros a liberdade de crença e consciência, não se admitindo que identidades religiosas se imponham como condição do exercício de direitos e do respeito à dignidade fundamental de cada um. É, pois, com preocupação que testemunhamos a instrumentalização do discurso religioso na presente corrida presidencial.

Em particular, deploramos a guarida de templos ao proselitismo a favor ou contra esta ou aquela candidatura – em clara afronta à legislação eleitoral. Dilma Rousseff, em particular, tem sido alvo de campanha difamatória baseada em ilações sobre suas convicções espirituais e na deliberada distorção das posições do atual governo sobre o aborto e a liberdade de manifestação religiosa. Conclamamos ambos os candidatos ora em disputa a não cederem às intimidações dos intolerantes. Temos confiança de que um eventual governo Dilma Rousseff preservará o caráter laico do Estado brasileiro e conduzirá adequadamente a discussão de temas que, embora sensíveis a religiosidades particulares, são de notório interesse público.

Por essas razões, apoiamos a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Para o povo brasileiro continuar em sua jornada de reencontro consigo mesmo. Para o Brasil continuar mudando!


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