3 de outubro de 2010

Rima & solução: devorações de sons e sentidos


No vasto mundo mundo da poesia brasileira, há muitos modos de rimar. Emicida sabe disso:

"Se eu cair vai ser rimando,
me levantar vai ser rimando
No comando, nunca vou a mando de ninguém.
Observando, batalhando perdendo ganhando
E se eu continuar na merda vai ser rimando também"

Esse rapper paulistano tece seus poemas com mútliplas referências e muito humor: seu modo de olhar para o mundo com olhos livres. O nome é uma brincadeira com a palavra homicida, já que, nos desafios entre MC's, nas rinhas, ele sempre "matava" os adversários, daí não ser mais MC, mas Emicida.

Ouça "Vai ser rimando", antes de sair para eleger Dilma e permitir que o projeto inaugurado por Lula possa continuar, contra a oposição ferrenha da Globo e de outros monopólios de comunicação no País.



Corre as areias da ampulheta e nada, alem do amor maior
cada degrau na escada onde eu derramei o meu suor
Avesso as banalidade aonde os moleque se entope
e se não for por isso então não sei pra que serve o
hip hop
Faz mulher tremer pique perva do vem-nenen
mas me fez esquecer a fome e botar fé de que eu ia
ser alguém
nego vislumbra ganha a dimensão da treta a responsa
de mudar o mundo com a ponta de uma caneta
duplo deck varias casset estala tipo coruja pela
track vara a madruga atrás da rima mais suja
verdadeiro a provar que não tô omisso
pra por no radio e dizer ?tava faltando isso?
momento faz a vida a vida faz meus rap, caso
contrario é mentira boiando entre bumbo e clap no
teste, alma, família eu valorizo aqui...existe 2 verdades
1 é a morte a outra é que :

Se eu cair vai ser rimando, me levantar vai ser
rimando
No comando, nunca vo a mando de ninguém.
Observando, batalhando perdendo ganhando
E se eu continuar na merda vai ser rimando também (2x)

Os cara cobra ? E ai tiu,cadê o disco com os rap?
Eu tento explicar que o bagulho é mais que ir pro
estúdio da rec
minhas rima tão na rua ai, e por enquanto é o
seguinte
se não chegou ao seu ouvido não é pra você ser
ouvinte

curto as produça caseira
mas não as de qualquer jeito
não sei porque assimilaram o underground ao mal feito

meus bagulho é de coração demora mais, pra quando
vagabundo ouvir essa porra cair pra traz
Consegui dispor meu sentimento em cada batida
Fazer valer pra quando alguém gritar:
barulho pro emicida
Minha vida cada verso dos alegre é o mais triste
Se fosse só cantar eu cantava as que já existe
Quando se pega o Mike tem que ter algo a dizer, o
lugar de quem não pensa assim é no karaokê
Acho dahora observar os caras que faz por moda,pois
isso sempre me mostra o quanto os verdadeiro é foda

Se eu cair vai ser rimando, me levantar vai ser
rimando
No comando, nunca vo a mando de ninguém.
Observando, batalhando perdendo ganhando
E se eu continuar na merda vai ser rimando também (2x)

A rua é nois? mais do que um erro de gramática,
é a frase que sintetiza a brisa do sujo na pratica
a última esperança de quem não crê em mais nada
vaga sozinho como itogami na beira da estrada
liberdade é condicional assistida em todos os nível
por isso me esforço pra ser o mais livre possível
se nois cega com um olho os repórter que vem pra
aluga
ano que vem tem 4 loira dançando no nosso lugar
joga lavagem pros porcos eles comem até explodir
a cota deles é tentar e a nossa era cair
abraça, que a mídia quer a vitória pra favela
abraça que as pretas vão ser vistas como bela
na tela os patrão segrega discrimina e da ânsia
comprova estereotipo pra afirma a distancia
diz que idealismo morreu foda-se quem se vendeu
sigo assim nem que no fim eu grite
A rua sou eu

Se eu cair vai ser rimando, me levantar vai ser
rimando
No comando, nunca vo a mando de ninguém.
Observando, batalhando perdendo ganhando
E se eu continuar na merda vai ser rimando também (2x)

30 de setembro de 2010

Eleições 2010

O texto abaixo foi publicado na revista Carta Capital e nos ajuda a entender o que está acontecendo neste período eleitoral no Brasil hoje.


Números, erros e estatísticas
Antonio Luiz M. C. Costa 29 de setembro de 2010 às 18:12h

As pesquisas eleitorais apontam para uma decisão em primeiro ou segundo turno? Por Antonio Luiz M. C. Costa.

Vamos ter um segundo turno na eleição presidencial? A quatro dias da eleição, a resposta é quase certamente não: Dilma Rousseff deve ser eleita com cerca de 54% dos votos válidos. Os dados da pesquisa Datafolha publicada dia 28, segundo os quais a candidata teria caído de 57% para 53% e 51% dos votos válidos em duas semanas, o que indicaria uma elevada probabilidade de segundo turno, estão provavelmente distorcidos.

Nas pesquisas que tem sido divulgadas para o público há três metodologias em jogo. A primeira, do Vox Populi, Ibope e Sensus, baseia-se em entrevistas em domicílios sorteados de modo a representar a população por critérios de renda, escolaridade e região. A segunda, do Datafolha, procura também entrevistar uma amostra representativa por critérios semelhantes, mas faz as entrevistas em “pontos de fluxo”, ou seja, busca pessoas em ruas e praças. A terceira, do tracking Vox/Band/Ig, faz entrevistas domiciliares diárias. São duas mil entrevistas com uma renovação diária de quinhentas delas. A cada quatro dias, toda a amostragem é renovada.

O método das entrevistas domiciliares, o mais trabalhoso, é geralmente considerado o melhor, pois oferece maior segurança de obter uma amostra realmente representativa.

O método do Datafolha é sujeito a distorção porque nem todos têm a mesma probabilidade de serem encontradas na rua. Jovens, pessoas que trabalham em escritórios e comércios centrais e pessoas que fazem compras diárias saem com mais frequência. Idosos, pessoas que trabalham em fábricas ou no campo, ou fazem compras mais espaçadas, passam por esses lugares mais raramente. Isso induz um viés que pode ser importante, dependendo do perfil dos candidatos em jogo. Isso não é compensado por um número maior de entrevistas: isso apenas reproduzirá o viés.

O método da pesquisa telefônica também é notoriamente enviesado, ao excluir os que não têm aparelho. É usado não para dar um quadro preciso, mas uma indicação rápida das tendências gerais: quem sobe e quem cai. A prática é tradicional nas pesquisas privadas dos partidos, cuja prioridade e avaliar o mais rapidamente possível os resultados de sua propaganda.

As pesquisas Ibope e Sensus publicadas em 29 de novembro indicam, respectivamente, 54% e 55% dos votos válidos para Dilma, apesar de divergirem significativamente nos números de nulos e indecisos (a primeira dá 8%, a segunda 13%) e, portanto, na porcentagem dos votos para Dilma sobre os totais (50% e 47,5%, respectivamente). O tracking, que indica 56% na mesma data, não é comparável e serve apenas para indicar a direção. Teoricamente, o segundo turno é possível se praticamente todos os indecisos – 4% segundo o Ibope, 9% segundo Vox e Sensus – decidirem-se pela oposição, mas isso é muito improvável.

É verdade, de acordo com todas as pesquisas e o tracking, que a direção de Dilma tem sido de queda desde o auge do início de setembro. Em parte, isso decorre da campanha negativa promovida pelo PSDB e seus simpatizantes. Em parte, da mudança de qualidade dos indecisos: até meados de agosto, a maioria dos indecisos queria votar no “candidato do Lula”, mas ainda não tinha clareza de qual era. A partir de meados de setembro, trata-se de dúvida entre votar no governo ou na oposição, ou entre os principais candidatos de oposição – e, portanto, é menor a probabilidade de se definirem pela candidata governista. À medida que estes se decidem e aumenta o total de votos válidos, Dilma ganha menos e os oposicionistas – tanto Serra quanto Marina e os “nanicos”, a julgar pelo tracking – crescem proporcionalmente mais.

Mas além de ter um pequeno efeito líquido sobre os votos de Dilma, a campanha negativa tem outra consequência: polarizar a eleição. Ou seja, acirrar as diferenças sociais e regionais, de maneira a aumentar a proporção de votos da oposição nos meios em que ela já tinha alguma vantagem, mas também de incomodar indecisos e reforçar a decisão dos governistas onde Dilma tinha vantagem mais ampla. A oposição aumentou suas porcentagens nas classes de alta renda, enquanto o governo manteve ou aumentou a sua nas classes populares. Os mapas do Ibope também mostram tendência a uma regionalização um pouco mais definida.

Isso torna mais fácil manipular uma pesquisa escolhendo os lugares certos para se fazer uma pesquisa por “pontos de fluxo”, mesmo que os números em si não sejam fraudados. No caso do Datafolha, a pesquisa eleitoral foi associada a perguntas sobre o caso Erenice que poderiam induzir a resposta – embora essas perguntas tenham sido, ao menos em teoria, feitas depois de o entrevistado declarar intenção de voto. Também é peculiar que, contrariando os outros institutos e a tendência lógica, o número de indecisos, na pesquisa Datafolha, tenha crescido significativamente na reta final: de 8% para 11%. Na reta final, em que a oposição mais precisa de motivação, o Datafolha voltou a ser o ponto fora da curva, como também o foi no momento em que Serra estava oficializando sua candidatura e precisava desesperadamente de fôlego. Coincidência?

(Disponível em http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/numeros-erros-e-estatisticas)

8 de setembro de 2010

Linha pura

Para comemorar a alegria renovada, do amor, da música, dançando & cantando: "Pano pra manga", de Jards Macalé & Xico Chaves. Aqui na voz de Jards com a percussão de Naná Vasconcelos, dois artistas inventivos que se encontraram neste disco maravilhoso.

28 de agosto de 2010

Economia criativa & solidária

Em Itabirito (MG), existe a Mercearia Paraopeba, um lugar maravilhoso que nos religa ao melhor do passado. A dica veio de um texto da Carta capital, uma revista que merece ser lida por muitos motivos.

25 de agosto de 2010

Alberto Caeiro

Todos os poemas de um dos mais lidos e analisados heterônimos de Fernando Pessoa aqui

13 de agosto de 2010

Culturas híbridas

É o título de um dos livros mais traduzidos de Néstor Garcia Canclini. Esse intelectual argentino assina diversos textos que nos fazem deslocar estereótipos. Do seu trabalho, muito pode ser lido na internet, é só pesquisar: há artigos, livros inteiros, entrevistas, palestras.
Aqui você encontra um pouco da sua produção.

Leitores, espectadores e internautas
Entrevistas
Palestras

4 de agosto de 2010

Para Tazio Zambi

As muitas e maiores alegrias.
A (re)invenção do cotidiano.
Cada dia novo, não só hoje,
seu aniversário.

Na oficina de criação, seus experimentos poéticos, sonoros, visuais:
produtos para festas e descartáveis em geral

Foto de Tazio: Magic Squares, de Hélio Oiticica, Inhotim -MG, julho/2010.